Por muito pouco quase fico de fora desse espetáculo que se chama Brazil 135. São 217 Km de estrada da chão onde a única estrada sobe ou desce.
Um amiga me convidou para fazer em dupla, e como estava viajando ela correu atrás de tudo já que é necessário mandar um currículo para a seleção. De lá até aqui, oh God, passamos por poucas e boas... Ela se machucou, eu desanimei, etc etc... Mas por força do hábito não fujo da luta, se a guerra foi declarada, vou buscar.
O dia 18 de janeiro de 2013 chegou como um raio e o que foi feito foi feito, não posso dizer que dei meu máximo nos treinamentos finais por que seria uma mentira deslavada, se não fosse alguns amigos para levantar minha cabeça e me ajudar nos treinamentos mais complicados não sei o que teria sido.
O que me fascina na ultra é o fato de ser individual, é silencioso, dá paz. O Revezamento não pode ser encarado dessa forma, logo de inicio já perde o individualismo, mas é uma experiência inigualável, e particularmente adoro experiências, adoro aprender coisas novas e dessa aprendi como nunca.
O percurso da www.brazil135.com.br é duríssimo, muitos brincam que é a onde o filho chora e a mãe não vê, vou nem comentar, porque sofri. Como minha dupla machucou antes da prova, e me assustou dizendo que poderia fazer km's abaixo do percurso, tive que colocar os trechos mais duros pra mim, sem fazer idéia do que seria, subi o pico do Gavião e a Serra dos Lima já de inicio de prova, e a Serra dos Lima me destruiu com uma dor próx ao joelho que até agora não faço idéia do seja (ainda dói), essa dor só não me jogou fora da prova porque via minha parceira guerreira saindo do carro para correr mancando de dor, depois que esquentava ela arrasava e corria como nunca, isso me dava uma injeção de animo e me fazia querer continuar mesmo mancola. A prova foi dramática, mas terminou com Sucesso, terminamos com 34h34, 1h30 mais rápido do que eu tinha previsto. Fiz 119 Km dos 217 Km, apenas 6 a menos do programado na minha parte, graças ao bom desempenho dela.
Para contar tudo o que rolou precisaria de escrever no minimo durante 34h, e hoje ainda estou meia abalada com tudo, analisando cada passo, os erros, os acertos...
- Coloquei meu marido, meu pai, meu treinador dentro de um carro durante todo o percurso... PAI e MARIDO juntos? imagina o Caos...
- Corri em dupla com uma pessoa que nunca havia treinado, como sou neurótica com previsões, imagina a pressão que não fiz sobre mim mesmo, conseguimos apenas um treino juntas antes da prova.
- Fora isso, perdemos a chave do carro na largada da prova(isso daria um post específico rs)...
- Enfrentei uma chuva de Granizo que chegou ao ponto de rasgar minha capa de chuva...
etc etc
Mas também,
- conheci a vista incrível do Pico do Gavião...
- durante a noite corri com as estrelas, o céu estava baixo, inesquecível...
- Reencontrei amigos queridos...
- Fiz novos amigos...
- Conheci a incrivel força de uma mulher com vontade de vencer (minha parceira)...
- Vi um time fazendo o possível e o impossível para nos levar em Paraisópolis com sucesso e em segurança (bem faz a organização da prova em premiar primeiro a esquipe, emocionante)...
- Chorei como nunca durante nos 10 Km finais e dei gargalhadas durante 207 km do percurso...
- Me conheci...
- Vi o cuidado de Deus...
- Senti o carinho dos amigos na torcida, quem tem amigos tem tudo!
etc etc
Agradeço a Deus, sem Ele NADA SOU e cada dia minhas experiências com seu amor só aumentam... a minha SENSACIONAL EQUIPE... ao Comandante Lacerda e sua querida Eliane, que nos suportam com muito carinho durante todos os preparativos, durante todo o percurso com nossas duvidas, questionamentos, problemas e inseguranças.
Nota 1000!
E quanto ao fazer a BR 135 solo aprendi que tenho que ter paciência, não sei se será em 2014, vou fazer quando estiver segura que vou me divertir sofrendo 217 KM ;)
Que esse maravilhoso ... nos vemos no caminho ... se repita algumas vezes na minha vida... Seja como Voluntária, seja como Pacer, seja como Trio, seja como Dupla ou seja como Solo, mas que seja! Que Assim Seja!
Mostrando postagens com marcador BR135. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Transbordando Solidariedade!
Poucas pessoas se levantam para uma ação solidária sem imposição e sim porque possui um coração voltado ao setor. Acho interessante observar a parte da população disposta a se dedicar por uma boa causa e perceber o quão gratas elas são por transformar suas ações em favor de quem precisa, é lindo! Bem se diz que é melhor dar do que receber, e só quem experimenta pode ver o grande valor da citação.
Neste final de semana tive o privilégio de participar o segundo Desafio Solidário proposto pelo ultramaratonista Carlos Gusmão. Ele passou 24 horas correndo nos dois principais morros de Vila Velha para arrecadar brinquedos para as crianças com deficiência neurológica do CREFES. Sabe o que acontece quando um guerreiro com credibilidade movimenta a massa corredora? Sucesso! Foram arrecadados 850 brinquedos em pouco tempo. Ta aí, quem quer faz a diferença.
Desafio
Eu de enxerida no meio desses Ultraguerreiros que passaram 24hs de plantão correndo e apoiando o evento
P.s: Devido a alguns compromissos sérios, pude fazer apenas as 9hs finais do treino de meia-noite as nove da manhã. Consegui fazer 52 Km subindo aquelas montanhazinhas durante 7h30. Bom, só sei que doeu, mas na segunda estava bem novamente, acho que estou começando a criar casca. Fica como treino para a BR!
Pensando bem, acabei de perceber que foi o primeiro treino de 52 KM da minha vida e acabei de falar como se tivesse corrido 32 KM... por isso que doeu, por isso que amo advil, por isso dormi por dia e noite seguidos, e por isso que amo essa tal da progressão de condicionamento. Tá louco! Comemorei pouco, bem me lembrei que devo comemorar mais.
Neste final de semana tive o privilégio de participar o segundo Desafio Solidário proposto pelo ultramaratonista Carlos Gusmão. Ele passou 24 horas correndo nos dois principais morros de Vila Velha para arrecadar brinquedos para as crianças com deficiência neurológica do CREFES. Sabe o que acontece quando um guerreiro com credibilidade movimenta a massa corredora? Sucesso! Foram arrecadados 850 brinquedos em pouco tempo. Ta aí, quem quer faz a diferença.
Desafio
Eu de enxerida no meio desses Ultraguerreiros que passaram 24hs de plantão correndo e apoiando o evento
P.s: Devido a alguns compromissos sérios, pude fazer apenas as 9hs finais do treino de meia-noite as nove da manhã. Consegui fazer 52 Km subindo aquelas montanhazinhas durante 7h30. Bom, só sei que doeu, mas na segunda estava bem novamente, acho que estou começando a criar casca. Fica como treino para a BR!
Pensando bem, acabei de perceber que foi o primeiro treino de 52 KM da minha vida e acabei de falar como se tivesse corrido 32 KM... por isso que doeu, por isso que amo advil, por isso dormi por dia e noite seguidos, e por isso que amo essa tal da progressão de condicionamento. Tá louco! Comemorei pouco, bem me lembrei que devo comemorar mais.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
We are in - BR 135 Revezamento de dupla
Por acaso um tempo atrás uma amiga entrou em contato me convidando para fazer revezamento da BR 135, meu sonho! São 217 km de pura aventura em barrancos e estradas de chão.
Estava distante e não poderia preencher todo o formulário necessário para a pré-seleção. É uma prova com um valor alto e que mesmo assim não entra quem quer, precisa ser aceita pelos mestres.
Ela disse que era a hora, preencheu tudo pra mim durante horas, e umas semanas depois veio o grande resultado. Finalmente eu tinha passado em alguma seleção na vida, we are in!!! Prova raçuda que promete.
Não estava muito animada já que muita coisa aconteceu, ela se machucou, algumas pessoas desestimulantes, e etc e tal. Mas pensei melhor e resolvi voltar a pensar no assunto já que um crédito de confiança nos foi dado. Afinal gosto de montar quebra-cabeças, um desafio destes não te exige apenas pernas e sim mente sadia para aviliar todas as questões e saber trabalhar com o forte de cada uma e com as adversidades que surgem antes e durante a prova, temos 48hs para terminar tudo dividindo os trechos em partes iguais. Agora é saber lidar com tudo o que está acontecendo montar equipes e ir!!!
Se chegamos até aqui, vamos até lá! Vamos para guerra, dar o sangue e honrar a nossa porta de entrada junto a bons ultramaratonistas do Brasil. BR 135 Solo, seus 217 km ainda serão só meus, em 2013 vou me concentrar com a metade.
www.brazil135.com.br
Estava distante e não poderia preencher todo o formulário necessário para a pré-seleção. É uma prova com um valor alto e que mesmo assim não entra quem quer, precisa ser aceita pelos mestres.
Ela disse que era a hora, preencheu tudo pra mim durante horas, e umas semanas depois veio o grande resultado. Finalmente eu tinha passado em alguma seleção na vida, we are in!!! Prova raçuda que promete.
Não estava muito animada já que muita coisa aconteceu, ela se machucou, algumas pessoas desestimulantes, e etc e tal. Mas pensei melhor e resolvi voltar a pensar no assunto já que um crédito de confiança nos foi dado. Afinal gosto de montar quebra-cabeças, um desafio destes não te exige apenas pernas e sim mente sadia para aviliar todas as questões e saber trabalhar com o forte de cada uma e com as adversidades que surgem antes e durante a prova, temos 48hs para terminar tudo dividindo os trechos em partes iguais. Agora é saber lidar com tudo o que está acontecendo montar equipes e ir!!!
Se chegamos até aqui, vamos até lá! Vamos para guerra, dar o sangue e honrar a nossa porta de entrada junto a bons ultramaratonistas do Brasil. BR 135 Solo, seus 217 km ainda serão só meus, em 2013 vou me concentrar com a metade.
www.brazil135.com.br
quinta-feira, 22 de março de 2012
100 segundos para lembrar 38 horas
Finalmente consegui editar o video com as imagens da BR 135... eu enrolo, demoro mas não desisto rs. Fiz curto para não ficar chato, que por mim poderia ter 2 horas de video que não iria enjoar de ver rs.
Editei não né? escolhi a música fiz o roteiro (na cabeça) e pedir a super ajuda de um profssional para fazer milagres com as imagens não muito boas que captei durante a prova. Com 3 minutos de conversa o Editor entendeu o espirito da coisa. Acho que ficou do jeito que estava pensando.
Vejam se está aprovado :)
Link:
Editei não né? escolhi a música fiz o roteiro (na cabeça) e pedir a super ajuda de um profssional para fazer milagres com as imagens não muito boas que captei durante a prova. Com 3 minutos de conversa o Editor entendeu o espirito da coisa. Acho que ficou do jeito que estava pensando.
Vejam se está aprovado :)
Link:
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Imagens BR 135 2012
Tentei me dedicar as filmagens para tentar fazer um video legal, mas não sei se será possível porque ou você corre ou você grava, mas aguardo e verei.
Para fotografar contamos com os conjuges :) ... segue algumas.
Foto largada

Antes da minha primeira parte com Maria Luisa, netinha do João (ele já tinha começado a prova), nosso apoio motivacional, aqui ela fez um mapa do Pico do Gavião para ninguém se perder. Ela aguentou firme e forte 38hs dentro do carro, futuraultra com certeza.

O João sabe brincar!!! Até o carro ele plota.

Chegando do meu primeiro trecho de 16 km

Após um banho e indo para o primeiro trecho noturno, até aqui já tinha acumulado 46 km. Lavou, tá nova! Muito bom o banho, revigorante apesar do muquifinho.

200 km de Terra

17 km de Asfalto

E aqui, tudo era possível... Aqui neste ultimo trecho onde a piores noticias rolavam sobredelirios, sobre morros... Mas também rolam expectativas de melhores tempos, de chegar inteiro, vivo... de completar, etc... Um misto de tudo.
Para mim, era só uma possibilidade real, fazer 110 km (e a partir deste ponto faltavam 17).
Então era colocar o colete obrigatório a partir das 18hs e preparar a mochila.

Mas rapidamente o tempo começou a fechar e eu comecei a me preocupar.

Mas deixa o temporal para lá, afinal, ele ainda não chegou, o importante é que estava muito feliz, não dava para esconder, me sentia muito inteira ali.

Então tchau povo, até mais. O João sofreu comigo coitado, eu descansada, e ele após 200 km seguidos tendo que ouvir meus delírios, porque como eu falei viu, falava que nem uma tagarela, e ainda liguei o GPS para ter dados analiticos, acho que depois daquela foto ali ele queria me afundar naquele barro, principalmente durante a chuva rs. Olha o tempo fechando lá atrás.

Ufa!!! Chegamos!!! Ufa nada, só o chegamos já era o suficientemente feliz, sem o ufa.

Como eu gosto de tudo isso, droga!!! droga de vicio! Queria muito viver disso, viver para isso e para Deus claro (em primeiro lugar sempre). Mas não dá né? eu sei. Tenho uma grande família e grandes amigos (quase irmãos) que também me fazem feliz. Vamos deixar acontecendo, tentando me controlar, sei que sou meio sem controle, mas juro que eu me esforço, é sério, faço um trabalho mental Level Hard. Mas é punk rs.
Para fotografar contamos com os conjuges :) ... segue algumas.
Foto largada
Antes da minha primeira parte com Maria Luisa, netinha do João (ele já tinha começado a prova), nosso apoio motivacional, aqui ela fez um mapa do Pico do Gavião para ninguém se perder. Ela aguentou firme e forte 38hs dentro do carro, futuraultra com certeza.
O João sabe brincar!!! Até o carro ele plota.
Chegando do meu primeiro trecho de 16 km
Após um banho e indo para o primeiro trecho noturno, até aqui já tinha acumulado 46 km. Lavou, tá nova! Muito bom o banho, revigorante apesar do muquifinho.
200 km de Terra

17 km de Asfalto

E aqui, tudo era possível... Aqui neste ultimo trecho onde a piores noticias rolavam sobredelirios, sobre morros... Mas também rolam expectativas de melhores tempos, de chegar inteiro, vivo... de completar, etc... Um misto de tudo.
Para mim, era só uma possibilidade real, fazer 110 km (e a partir deste ponto faltavam 17).
Então era colocar o colete obrigatório a partir das 18hs e preparar a mochila.

Mas rapidamente o tempo começou a fechar e eu comecei a me preocupar.

Mas deixa o temporal para lá, afinal, ele ainda não chegou, o importante é que estava muito feliz, não dava para esconder, me sentia muito inteira ali.

Então tchau povo, até mais. O João sofreu comigo coitado, eu descansada, e ele após 200 km seguidos tendo que ouvir meus delírios, porque como eu falei viu, falava que nem uma tagarela, e ainda liguei o GPS para ter dados analiticos, acho que depois daquela foto ali ele queria me afundar naquele barro, principalmente durante a chuva rs. Olha o tempo fechando lá atrás.

Ufa!!! Chegamos!!! Ufa nada, só o chegamos já era o suficientemente feliz, sem o ufa.

Como eu gosto de tudo isso, droga!!! droga de vicio! Queria muito viver disso, viver para isso e para Deus claro (em primeiro lugar sempre). Mas não dá né? eu sei. Tenho uma grande família e grandes amigos (quase irmãos) que também me fazem feliz. Vamos deixar acontecendo, tentando me controlar, sei que sou meio sem controle, mas juro que eu me esforço, é sério, faço um trabalho mental Level Hard. Mas é punk rs.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Pacer BR 135 Ultramarathon
Me aconteceu tanta coisa nesses dias de BR que realmente não sei como começar e não consigo pensar numa linha para escrever aqui. Mas vamos tentar!
Bem, um dia antes no encontro antes da prova conheci a família do João e sentamos para discutir quais trechos eu faria. Ele selecionou os que ele mais precisava de apoio, os com maiores subidas e noturnos. Quando resolvi somar todos os trechos, fiquei pasma, passava dos 100! Mas ele acreditou em mim (isso faz toda a diferença), me disse para ficar tranqüila que conhecia até onde eu já tinha ido, e que eu poderia abortar a qualquer momento caso não fosse possível. E a partir daquele momento parei de pensar naquela distancia toda. Consegui até tirar um cochilo a tarde, coisa impossível em qualquer dia normal. E ainda dormi muito bem a noite.
O João largaria sozinho, faria os dois primeiros trechos e eu entraria no terceiro.
Como é diferente essas corridas que ultrapassam limites, ainda não sei como me encaixo nelas, mas sei que é uma paixão meio estranha. Gosto e ponto. Sem explicação. Gosto daquele clima de largada, de ver aquelas pessoas prontas para se desafiar, pessoas que querem mais de si mesma e não dos outros ou de coisa alguma. Não senti entre eles uma tensão no ar, e sim uma vontade louca de largar. Se fizesse psicologia gostaria de fazer um estudo sobre como funciona a cabeça de um ultramaratonista. Me perguntaram o que passa na minha cabeça em treinos ou provas longas e eu não consegui responder. Acho que aí está a brincadeira, acho que não penso em nada relevante e preocupante, só banalidades e se for para pensar em algo relevante que seja sobre força e superação.
Meus trechos estavam divididos em correr, descansar, correr, descansar e o máximo que faria por vez seria 22 km. Cheguei no km 26 com tranqüilidade. Descansei bem, e no fim do dia fiz mais 20 (aqui, quando estava escurecendo e não tinha ligado a lanterna tropecei numa pedra, cai, rasguei a calça na altura do joelho e consegui uns arranhadinhos na mão e no joelho) - o máximo que consegui fazer foi rir, de vergonha! Aliás continuei rindo mais uns 30 minutos, só parei quando percebi que tinha rasgado minha calça nova, aí sim começou a doer e queria chorar rs.
Essas paradas no carro, não sei dizer ao certo se fazem bem ou se faz mal. Até porque depois de muitas horas quem ficou no carro também começa a ficar nervoso e cansado. Na verdade depois de muitas hotas a maioria fica nervoso e cansado. Depois da minha queda e de 46 km estava muito suja, e ficar parada no carro daquele jeito me fazia mal, e meu doia as pernas, não tinha muita posição. Consegui um banho comunitário no postinho por R$ 2,00 :) - fiquei nova, pronta para continuar. Fizemos um trecho duro de 22 km no escuro, e subindo sempre, muito morro. Aqui o povo já começa mais a andar do que correr. Alguns trotes ainda rolava. Chegamos na cidade quase amanhecendo e tentei tirar um cochilo para me renovar. O João continuou.
Resumindo os trechos que fiz foram esses:
Águas da Prata/Pico do Gavião - 16 Km (em torno de 2hs)
Pousada /Andradas - 10 Km (em torno de 1h10)
Serra dos Lima/Barra/Crisolia (anoitecer) - 22 Km (em torno de 3h)
Banho 1h da manhã - Lavou tá novo
Inconfidentes/Borda da Mata (madrugada) - 22 KM (em torno de 3h)
Toscos/Estiva (lá pelas 9 da matina) tensooo, o morro mais alto e longo e as descidas mais longas da prova, aqui te arrebenta - 18 KM (em torno de 3:30) - Tomei um energético efervescente bom! estava docinho rs.
Consolação/Trevo (entardecer) marido chegou aqui :) - 5 KM (35 minutos)
Trevo/Paraisópolis - Chegada - 17 Km - gás total, mas estava chovendo muito depois de 4 km (Levamos 3h30) a possibilidade de bater o recorde do João foi um energético natural para mim, mas o mundo caia em água. Aqui é muita história para poucas 3hs finais, vou deixar para um próximo post.
Muita coisa aconteceu, muita coisa mudou, mas continuo muito confusa em relação até onde posso ir. Ainda não me considero ultra porque corria umas horas e descansava um pouco, não sei, está tudo escuro rs. Só sei dizer que tudo foi muito especial, me conheci um pouco mais e preciso me acalmar para pensar. Voltei muito empolgada com planos nas alturas, mas meu marido ficou muito tenso e resolvi pensar um pouco melhor rs, não quero infarta-lo.
É isso, isso tudo que não consigo colocar aqui, espero ter conseguido registrar pelo menos uma parte. Obrigada a todos que fizeram parte da minha história até aqui, sou construida com base de incentivo, informação e vontade. Consegui cumprir meu principal objetivo nesta corrida que era diminuir o tempo do João e ajudar e não ter que ser resgatada (espero realmente ter ajudado rs). Terminamos a prova em 38h10, 1h30 a menos do que o menor do a melhor BR dele :).
Valeu galera especial, vocês fazem parte da minha Vitória!
Depois posto fotos.
Bem, um dia antes no encontro antes da prova conheci a família do João e sentamos para discutir quais trechos eu faria. Ele selecionou os que ele mais precisava de apoio, os com maiores subidas e noturnos. Quando resolvi somar todos os trechos, fiquei pasma, passava dos 100! Mas ele acreditou em mim (isso faz toda a diferença), me disse para ficar tranqüila que conhecia até onde eu já tinha ido, e que eu poderia abortar a qualquer momento caso não fosse possível. E a partir daquele momento parei de pensar naquela distancia toda. Consegui até tirar um cochilo a tarde, coisa impossível em qualquer dia normal. E ainda dormi muito bem a noite.
O João largaria sozinho, faria os dois primeiros trechos e eu entraria no terceiro.
Como é diferente essas corridas que ultrapassam limites, ainda não sei como me encaixo nelas, mas sei que é uma paixão meio estranha. Gosto e ponto. Sem explicação. Gosto daquele clima de largada, de ver aquelas pessoas prontas para se desafiar, pessoas que querem mais de si mesma e não dos outros ou de coisa alguma. Não senti entre eles uma tensão no ar, e sim uma vontade louca de largar. Se fizesse psicologia gostaria de fazer um estudo sobre como funciona a cabeça de um ultramaratonista. Me perguntaram o que passa na minha cabeça em treinos ou provas longas e eu não consegui responder. Acho que aí está a brincadeira, acho que não penso em nada relevante e preocupante, só banalidades e se for para pensar em algo relevante que seja sobre força e superação.
Meus trechos estavam divididos em correr, descansar, correr, descansar e o máximo que faria por vez seria 22 km. Cheguei no km 26 com tranqüilidade. Descansei bem, e no fim do dia fiz mais 20 (aqui, quando estava escurecendo e não tinha ligado a lanterna tropecei numa pedra, cai, rasguei a calça na altura do joelho e consegui uns arranhadinhos na mão e no joelho) - o máximo que consegui fazer foi rir, de vergonha! Aliás continuei rindo mais uns 30 minutos, só parei quando percebi que tinha rasgado minha calça nova, aí sim começou a doer e queria chorar rs.
Essas paradas no carro, não sei dizer ao certo se fazem bem ou se faz mal. Até porque depois de muitas horas quem ficou no carro também começa a ficar nervoso e cansado. Na verdade depois de muitas hotas a maioria fica nervoso e cansado. Depois da minha queda e de 46 km estava muito suja, e ficar parada no carro daquele jeito me fazia mal, e meu doia as pernas, não tinha muita posição. Consegui um banho comunitário no postinho por R$ 2,00 :) - fiquei nova, pronta para continuar. Fizemos um trecho duro de 22 km no escuro, e subindo sempre, muito morro. Aqui o povo já começa mais a andar do que correr. Alguns trotes ainda rolava. Chegamos na cidade quase amanhecendo e tentei tirar um cochilo para me renovar. O João continuou.
Resumindo os trechos que fiz foram esses:
Águas da Prata/Pico do Gavião - 16 Km (em torno de 2hs)
Pousada /Andradas - 10 Km (em torno de 1h10)
Serra dos Lima/Barra/Crisolia (anoitecer) - 22 Km (em torno de 3h)
Banho 1h da manhã - Lavou tá novo
Inconfidentes/Borda da Mata (madrugada) - 22 KM (em torno de 3h)
Toscos/Estiva (lá pelas 9 da matina) tensooo, o morro mais alto e longo e as descidas mais longas da prova, aqui te arrebenta - 18 KM (em torno de 3:30) - Tomei um energético efervescente bom! estava docinho rs.
Consolação/Trevo (entardecer) marido chegou aqui :) - 5 KM (35 minutos)
Trevo/Paraisópolis - Chegada - 17 Km - gás total, mas estava chovendo muito depois de 4 km (Levamos 3h30) a possibilidade de bater o recorde do João foi um energético natural para mim, mas o mundo caia em água. Aqui é muita história para poucas 3hs finais, vou deixar para um próximo post.
Muita coisa aconteceu, muita coisa mudou, mas continuo muito confusa em relação até onde posso ir. Ainda não me considero ultra porque corria umas horas e descansava um pouco, não sei, está tudo escuro rs. Só sei dizer que tudo foi muito especial, me conheci um pouco mais e preciso me acalmar para pensar. Voltei muito empolgada com planos nas alturas, mas meu marido ficou muito tenso e resolvi pensar um pouco melhor rs, não quero infarta-lo.
É isso, isso tudo que não consigo colocar aqui, espero ter conseguido registrar pelo menos uma parte. Obrigada a todos que fizeram parte da minha história até aqui, sou construida com base de incentivo, informação e vontade. Consegui cumprir meu principal objetivo nesta corrida que era diminuir o tempo do João e ajudar e não ter que ser resgatada (espero realmente ter ajudado rs). Terminamos a prova em 38h10, 1h30 a menos do que o menor do a melhor BR dele :).
Valeu galera especial, vocês fazem parte da minha Vitória!
Depois posto fotos.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Um convite tentador
Essa semana fui surpreendida com um convite formal, inesperado e mais que especial.
A minha viagem para a Patagônia alem de me render momentos agrádaveis me proporcionaram ares diferentes e pessoas diferentes. Entre elas o Marcos e a Marta de Floripa e o João e a Rosa de Marília.
E esta semana veio do João e da Rosa um convite tentador. O João está indo para sua segunda ou terceira BR135 solo e me convidou para ser Pacer. Bem, eu??? tem certeza??? pacer tartaruga?? :)
Pois foi, me convidou. Sempre tive paixão pela prova, e como boa futura ultra que sou como poderia deixar passar em branco um convite como este deixando de ficar pertinho da prova mais difícil do Brasil e uma das mais díficies do mundo. Além de ser classificatória para Badwater hehehe. Relaxa Katryny, vai com calma rs.
Voltando a realidade, o pacer tem uma super importância na prova, inclusive em termos de pontuação para o dia que resolver me aventurar na prova como inscrita. Como pacer eu já ganho 20 pontos, mais pontos do que quem completa, 01 ironman, 05 maratonas ou 01 corrida de montanha.
Se já tenho uma corrida de montanha que vale 10 pontos e se eu for pacer mais 20 já vou ter 30 pontos. Vou precisar agora de 03 provas de 24 horas para mais 30 hehehe. Sou sonhadora né? adoro sonhar, sonhar alto ainda, fica mais dificil para buscar.
Foram 48 horas de tensão, primeiro comuniquei a mãe, apoio de mãe é fundamental sempre rs, e depois busquei uma estratégia com o marido, essa sim deu trabalho, mas desde criança meu pai pertuba dizendo que a gente deve até dormir estratégicamente (que horror!) então a comunicação envolveu muitas coisas. E depois veio em cadeia a quem de direito a comunicação, ainda falta alguns, tomara que não vejam por aqui, sempre rola aquela esperança rs.
Engraçado como empatia funciona, nunca sei por quanto tempo, até porque as pessoas passam pela nossa vida como um ciclo, ciclos longos ou curtos. Pessoas agradáveis, de bem com a vida e com um bom coração deveriam ser os maiores ciclos, sempre!
João, muito prazer em aceitar seu convite e da sua esposa em passar esses dias com vocês. Não sei como vou estar, voltei a correr ontem, como já disse só tenho 3 maratonazinhas nas costas, mas vou dar o melhor que posso.
A minha viagem para a Patagônia alem de me render momentos agrádaveis me proporcionaram ares diferentes e pessoas diferentes. Entre elas o Marcos e a Marta de Floripa e o João e a Rosa de Marília.
E esta semana veio do João e da Rosa um convite tentador. O João está indo para sua segunda ou terceira BR135 solo e me convidou para ser Pacer. Bem, eu??? tem certeza??? pacer tartaruga?? :)
Pois foi, me convidou. Sempre tive paixão pela prova, e como boa futura ultra que sou como poderia deixar passar em branco um convite como este deixando de ficar pertinho da prova mais difícil do Brasil e uma das mais díficies do mundo. Além de ser classificatória para Badwater hehehe. Relaxa Katryny, vai com calma rs.
Voltando a realidade, o pacer tem uma super importância na prova, inclusive em termos de pontuação para o dia que resolver me aventurar na prova como inscrita. Como pacer eu já ganho 20 pontos, mais pontos do que quem completa, 01 ironman, 05 maratonas ou 01 corrida de montanha.
Se já tenho uma corrida de montanha que vale 10 pontos e se eu for pacer mais 20 já vou ter 30 pontos. Vou precisar agora de 03 provas de 24 horas para mais 30 hehehe. Sou sonhadora né? adoro sonhar, sonhar alto ainda, fica mais dificil para buscar.
Foram 48 horas de tensão, primeiro comuniquei a mãe, apoio de mãe é fundamental sempre rs, e depois busquei uma estratégia com o marido, essa sim deu trabalho, mas desde criança meu pai pertuba dizendo que a gente deve até dormir estratégicamente (que horror!) então a comunicação envolveu muitas coisas. E depois veio em cadeia a quem de direito a comunicação, ainda falta alguns, tomara que não vejam por aqui, sempre rola aquela esperança rs.
Engraçado como empatia funciona, nunca sei por quanto tempo, até porque as pessoas passam pela nossa vida como um ciclo, ciclos longos ou curtos. Pessoas agradáveis, de bem com a vida e com um bom coração deveriam ser os maiores ciclos, sempre!
João, muito prazer em aceitar seu convite e da sua esposa em passar esses dias com vocês. Não sei como vou estar, voltei a correr ontem, como já disse só tenho 3 maratonazinhas nas costas, mas vou dar o melhor que posso.
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