A viagem para o Rio foi curta, mas muito boa. Papai foi comigo, até porque marido não me deixa ir sozinha :)- ainda bem que tenho um pai corredor.
Tudo estava tranquilo e todos com expectativas de recordes pessoais. Eu não pensei muito nessa história de recorde não, na verdade na verdade só queria fazer os 21 previstos na planilha da semana, fazer parte dos poucos que atravessaram a Rio Niterói como Pedestre e aproveitar a paisagem.
Bem, nosso grupo encheu 3 taxis e fomos para a largada em Niterói. Todos tranquilos até a largada. Sai tranquila, sem música, só ouvindo a bateção de pés. A pista em Niterói tinha uns desníveis mas nada para forçar.
Inicio de prova e eu tentava manter um pace de 6:15 e 6:30 até a subida da ponte, onde por um momento de loucura e enpolgação me aproximava num pace de 6:00 nos 2 km de subida. Adoro correr no Rio, a galera sempre muito animada.
Quando terminei de subir o tão temido vão, a prova ainda estava nos 6 Kms e eu ainda estava inteira. Fiz uns calculos e previ terminar a prova no meu melhor tempo de meia até hoje. Desci o vão relaxando e feliz da vida.
Mas felicidade de corredor que acha que é casca grossa dura pouco! Quando terminei de descer vi uma barriga na ponte e subi de novo, ai descia, via outra barriga e subia de novo, descia, via outra barriga e subia de novo... Me desorientei, subia rápido, descia devagar, subia rápido, descia devagar. Queria ir ao banheiro, sem banheiro... Refiz meus cálculos, pensei, em 13 km acaba essa ponte, e vou correr nas avenidas cariocas com sombra e água fresca.
Doce ilusão... quando virei no km 13 o elevado resolveu aparecer e o sobe desce continuou, e o desespero aumentou. Estava muito quente, mas eu não sentia calor... Não tinha vento, não tinha sombra, não tinha banheiro, não tinha água gelada, mas de nada disso eu sentia falta... Eu só tentava avistar UMA COISA, a descida daquela porqueira. Nem se eu quisesse pular daria, a última coisa que queria era bater a cabeça no concreto (a corrida tem concreto demais e paisagem de menos). Mas bem que vi umas pessoas caidas raladas no chão esperando uma ambulância... até pensei em fazer o mesmo, mas esse pensamento passou rápido.
No km 13 um menino também encostou em mim e disse, estava te seguindo, você estava num ritmo bom, vamos manter. Putz, foi minha salvação porque tinha desacelerado bem.
Resumo da opera, passei o jogador Tande no final (que sofreu e levou 2h40 para terminar) e ainda dei um sprint nos 700 m finais. A ponte mesmo, só acabou depois do km 20. A prova teve um total de 21,5 km que terminei em 2h23.
Ainda sobrou folêgo para voltar 2 km's a pé até o hotel para não sujar nenhum taxi (corredor consciente).
Agora meu bem, é partir para os km's finais rumo a Porto Alegre.
"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
E se eu volto a fazer essa prova novamente? a princípio não, mas nunca digo nunca, principalmente depois de ler o relato Baleias da corrida.
O mar passou longe, e bem baixo

Os amigos Mineiros Baleias sempre presentes - largada
Eu e papai na chegada - muito engraçado quando eu cheguei ele me abraçou e gritou... Ele nem estava confiante na minha chegada viva rs, preocupação carinhosa de pai

Essa quantidade de protetor solar fator 100 que estou usando anda ajudando, nunca estive tão branquela. E essa cara boa da galera é porque ainda era muito cedo para avaliar.