Noite anterior: Tudo começou ontem no restaurante La Mole em Botafogo, galera linda reunida cheia de expecativas para prova, o grupo estava dividido entre provas de 6 KM, 21 KM e os 42 KM.
No restaurante encontrei a equipe Baleias e o Júlio Cordeiro. Estou começando a conhecer todos os meu amigos virtuais rs. Jantamos cedo e 9 horas da noite já estava no hotel com dor na panturrilha e não tinha nenhuma remédio para dor muscular, aí, tomei um Arcoxia (era a unica coisa que tinha, meu ortopedista se descobrir desiste de mim com toda essa automedicação).
Jantar com a Galera Marcos Falcon
Miguel - Equipe Baleias
Madrugada: Estava tão tranquila (de dar medo) que achei que ia apagar e dormir. Engano meu. Olhava no relógio de meia em meia hora e quando deu 4 da manhã desliguei o despertador para ele não me pertubar. Levantei e comecei a me arrumar. O café do hotel não rolou por causa do horário, comi uma banana, dois piraquê de gergelim, meio Red Bull e vitamina C (quer dizer o de sempre nos longões, nao consigo comer muito pela manhã).
Manhã: Saimos as 6 do hotel numa caravana de taxis rs, cada um para um lugar e chegamos às 6h50 no ponto de partida Praia da Macumba (Credo!!!)
A prova: Na largada quando o professor me deixou lá atrás e foi com os meninos mais para frente para que eu não fosse atropelada me senti sozinha e com vontade de chorar kkkk (me lembrou o meu primeiro emprego ao 16 anos quando meu pai me deixou na porta) mas logo avistei os Baleias que tiraram uma foto comigo e me acalmaram. Na largada você dá uma voltinha de 3 KM passando pelo mesmo lugar, vi a galera voando já no incio e eu tartarugando, ali juro, fiquei com vontade de desistir, pensei, loucura loucura estar aqui, será que estou preparada? mas aí né lembrei de todo o apoio da galera e que... ajoelhou tem que rezar, vamos embora!
No km 11 fiz uma amizade com uma braziliense chamada Andreia (primeira maratona também e estava programando o mesmo tempo que eu) mas logo no KM 25 ela diminui o ritmo e nos afastamos.
A passagem no Tunel do Joá ninguém fez barulho, o povo, acho eu, já estava cansado, já tinha gente andando, então sozinha mesmo rsrsr o grito ecoou (não podia perder a oportunidade). Aqui estava bem, cabeça, pernas e respiração. Estava ansiosa para encontrar a Thais no Leblon, então a subida da Niemayer foi relativamente tranquila, passei muita gente ali.
No Leblon minha amiga estava lá me esperando, ela tirou foto e correu um pouquinho comigo. Valeu amiga, ajudou o tempo a passar mais rápido.
Bem depois daqui só a cabeça funcionava, porque perna eu não tinha mais, depois que passei dos 32, 34, repetia a cada segundo "A VONTADE DE SER MARATONISTA É MAIOR QUE A DOR QUE ESTOU SENTINDO" "EU VOU CONSEGUIR" "EU VOU CHEGAR" "EU PRECISO CHEGAR".
Depois do 34 a contagem regressiva começou de 100 em 100 metros: Leblon, Ipanema, Copacabana e derrepente vi meu pai de longe (não acreditei, ele tinha corrido os 21 KM num tempo super bom e voltou 5 KM para me buscar) comecei a chorar claro (a corrida é uma das poucas coisas que me fazem chorar rs). Foi Guerreiro, porque estava aumentando o ritmo e ele correu comigo (comecei a prova com um pace de 7:00 7:20 e estava terminando com um ritmo de 6:00 6:30).
O choro da chegada foi inevitável quando abracei mamãe
Treinador e Bem Treinados (todos fizeram abaixo do tempo esperado)
Não posso dizer que foi tranquilo, mas estava preparada para sofrer mais no final (descobri que tenho uma cabeça otima). Quase no final faltando 1 KM meu treinador estava me esperando e corremos juntos, eu, papai, Marquinhos, e o Richard cruzamos a linha de chegada juntos. Caracas, uma das maiores emoções da minha vida. Tinha uma galera que estava há mais de 3 horas me esperando, correram junto comigo no km final e depois pularam a barreira de ferro e me encontraram na entrega de chips, não tinha segurança suficiente para barrar aquilo tudo rsrs.
Parte da galera que pulou a cerca para terminar a prova comigo
Bem, não dá pra descrever tudo que se passou, lendo assim parece que foi fácil, mas teve muito vento contra, muita gente andando no final (desestimula e estimula ao mesmo tempo), muita dor na perna, sinais de bolha. Mas pelo menos o clima estava agradável, nublado com cerca de 20 graus.
Agora tudo é festa estou em casa de pernas para o ar no sofá esperando a dor passar. Sem querer ser hipocondriaca mas já tomei um Tandrilax, dorflex e um remédinho para dormir e nada da dor passar e o sono chegar.
Então vou aproveitar o tempo para agradecer a TODOS que me acompanharam nesta gostosa loucura:
- a Deus que me deu saúde e disciplina para realizar meu sonho, mesmo não sendo merecedora de tanto amor. Toda honra e toda Glória seja dada a Ele.
- Minha família que no início achou uma loucura e me provaram para ver se era realmente isso que eu queria. Depois que disse sim, me deram apoio total. Inclusive indo ao Rio comigo. Os que não foram estavam 100% comigo em pensamento.
- A meu grande incentivador: Treinador Marcos Falcon. Ele que me mostrou que era possível correr uma maratona que não iria me arrepender. Não posso negar que ele foi muito duro comigo, mas só funciono na porrada rsrs. Você e suas planilhas foram nota 10 profs.
- A minha Personal Emmily Galvão que há 5 anos luta comigo, me pegou numa fase que odiava exercício e me deu todo o apoio.
- A Melissa e Elisa que compartilharam alguns longões comigo, fazendo até algumas loucuras de correr debaixo de pé d'agua, começar a correr mais tarde para finalizar comigo e até deixar de ir a baladas na sexta.
- A meus amigos que entenderam minha vida social teve que diminui nos últimos meses e que continuaram me amando e torcendo por mim rs.
- Meu amigos blogueiros que dedicam parte do seu tempo para comentar e dar o maior incentivo. Isso foi esscencial. Todos os post's e mensagens. E aqueles que tive oportunidade de conhecer possso dizer que foi algo quase sobrenatural rs. ESpero um dia ter oportunidade de conhecer todos.
- Não quero esqucer de ninguém então pode reclamar se não foi citado, ainda estou sob efeito da endorfina :)
Amiga querida que me encontrou no Leblon e ainda correu comigo. Orgulho!!!
Abraço dos amigos na chegada não tem preço
Parte da Galera - ao fundo Pão de Açucar
Resultado Final: Não me arrependo nenhum um segundo, faria tudo de novo quantas vezes fossem necessários. Aprendi muito, machuquei muito (quedas com marcas eternas), chorei, ri, briguei, brinquei, amei, apaixonei, me decepcionei, preguicei, e fui forte o suficiente para conseguir o que eu queria.
Quero deixar um recado, nada é impossível, tudo depende apenas de você não importa sua consição fisica, até cadeirantes tem vez. Não é fácil, mas AS MAIORES VITÓRIAS SUGEM NOS MOMENTOS MAIS DIFICIES. CORRA ATRÁS DOS SEU SONHOS MESMO QUE PAREÇAM IMPOSSÍVEIS E DISTANTES. TUDO É POSSIVEL COM DISCIPLINA E DETERMINAÇÃO.
Fiz em 4h53. Depois posto os dados Garminicos.
E quanto ao amanhã, eu penso amanhã ;)
Ps: Encontrei o Jorge Ultramaratonista antes da largada e almocei com o Ailton.
Ps 2: Putz nunca tomei tanto Carb up na vida. Não quero ver aquele troço tão cedo. Foram uns 7 arrrg... coisa horrora... e eu achava tão gostoso.
Quase 2 da manhã, vou para cama que apesar de tudo isso meu chefe (pai) é carrasco e não permite faltar ao trabalho. Só estou com medo de domir e não acordar mais rsrs.
AMIGOS, VAMOS FAZER PARTE DO SELETO GRUPO DE MARATONISTAS NO BRASIL. FORÇA QUE VALE PENA!!!